Empréstimo financeiro, dinheiro de caixa dois eleitoral e até contratação irregular de campanha foram hipóteses mencionadas nos depoimentos por políticos suspeitos de receber propina na Operação “Dirty Pix”. Dinheiro, conforme o Ministério Público Estadual, que teve como matriz dos repasses ilegais o grupo empresarial da Farma Medical e Pharbox, que teria desviado R$ 5,4 milhões do Hospital Elmíria Silvério Barbosa em Sidrolândia.
Montante, do qual movimentou-se em suposto esquema de corrupção, a quantia de R$ 485 mil, a partir de Julio Cesar Alves da Silva, intermediário citado por suspeitos da rede de propinas, como “alguém que emprestava dinheiro e também pegava emprestado”.
Descrição informada via defesas de alvos na operação, em depoimentos prestados aos promotores do caso, Bianka Machado Arruda Mendes, Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri, todos do Gecoc, o Grupo Especial de Combate à Corrupção.
A apuração do MPE indica ainda que os R$ 485 mil fornecidos a Julio, foram o resultado de sucessivos depósitos da Farma Medical, de R$ 74 mil, R$ 83 mil, R$ 100 mil e R$ 225 mil. Sem contar o eventual envolvimento na trama investigada, da companheira dele, Adriana Nogueira Trelha, que obteve do grupo empresarial mais R$ 100 mil, e a sua filha, Julia Carla Nascimento, interposto para quatro vereadores e também um ex-estagiário do MPMS, que englobam nos depósitos R$ 75 mil.
Ouvido em novo momento da investigação, depois da coleta de provas em 17 mandados de busca e apreensão (do dia 18 de novembro), o ex-vereador Cleyton Martins Teixeira não adotou a mesma estratégia de defesa, que os outros sete políticos suspeitos devido aos repasses irregulares de ilícitos identificados.
Segundo ele, os R$ 25 mil recebidos na sua conta foram a confirmação de um acordo para trabalhar com mobilização política local na reta final do 2º turno das eleições de 2022. E o cliente teria sido a campanha a governador de Eduardo Riedel, hoje ocupante do cargo.
Outro vereador, também mencionado entre os suspeitos, destacou que o panorama declarado por Cleyton não pode ser ignorado, já que apenas critérios políticos explicariam a tamanha diferenciação nos valores de pagamentos.
Na entrevista dada para O Jacaré, um dos investigados que pediu sigilo da identidade, comentou que os promotores terão dificuldades para provar que os repasses são na verdade propinas, uma vez que o principal intermediador, Júlio César, realizava pagamentos para terceiros, sem cobrar favores por isso, apenas o ressarcimento com juros.
“Política é assim, rivais históricos em Sidrolândia, como o Enelvo e o Daltro estiveram já no mesmo palanque e não se pode criminalizar decisões”, relatou.
Consultado mais uma vez sobre a operação, o advogado Wellison Muchiutti, que cuida da defesa de Cleyton Martins Teixeira e do gestor do hospital , Jacob Meeuwis Breure, também se pronunciou. Quanto aos depósitos de R$ 60 mil e R$ 10 mil, direcionados ao presidente da unidade de saúde, o representante legal explicou que o volume de R$ 70 mil tratou-se do pagamento de antigos empréstimos feitos por Julio Cesar, não avisados por ele sobre a entrada, muito menos no que diz respeito à fonte onde o dinheiro foi adquirido.
A operação teria recebido ainda nesta semana a comprovação do fluxo financeiro anterior da relação entre eles, que não seriam grandes amigos, mas fizeram negócio sem qualquer finalidade política.
ojacaré